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Deputado do PSL oferece R$ 10 mil para quem matar assassino de mulher no ES

O capitão Assumção, e o deputado que apareceu na Assembleia Legislativa de Espírito Santo com a farda repleta medalhas, ofereceu 10 mil reais, pelo assassinato de um homem que matou uma mulher em frente à filha de quatro anos em Cariacica. O crime a que se referiu o deputado é o assassinato de Maiara de Oliveira Freitas, 26.

O crime aconteceu no dia (11/09/2019). Dois homens encapuzados invadiram a casa onde ela morava. Maiara foi morta na frente da filha. A principal suspeita é de que ela tenha sido morta por vingança por ela ter ajudado as autoridades nas investigações do assassinato do namorado, ocorrido um ano antes.

Após ameaças, ela havia fugido para Minas Gerais e retornado ao Espírito Santo há duas semanas.

 “[Quero dar] R$ 10 mil do meu bolso para quem mandar matar esse vagabundo. Isso, não merece estar vivo não. Eu tiro do meu bolso para quem matar esse vagabundo aí”, afirmou Assumção na sessão parlamentar antes de apresentar as condições: “Não vale dar onde ele está localizado. Tem que entregar o cara morto, aí eu pago. Porque vagabundo, vagabundo, que tira a vida de inocente vai lá usar o sistema para ser beneficiado?”. Acrescentou ainda que não aceitará qualquer outro corpo que não seja o do assassino de Maiara. “Se esse miserável for encontrado morto e a gente tiver certeza que esse desgraçado é o cara que matou a jovem eu vou lá e pago com a maior boa vontade, não quero nem saber”. 

“Tem que matar essas desgraças, não pode estar vivo não (sic), essas pragas. É um custo alto pro cidadão. Uma nota preta que o cidadão paga pra poder custear a vida boa pra vagabundo. Se vagabundo é gente boa, não está nessa Terra, está lá com Jesus ou lá com o capiroto. Tem que fazer a escolha dele”.

‘SE TIVESSE MAIS, EU DAVA MAIS’

Assumção divulgou em suas redes sociais o vídeo de sua fala, reforçando seu pensamento e desdenhando das críticas.

“Ofereci 10 mil pela cabeça do bandido que matou a jovem. Imprensa me perguntou horrorizada se era isso mesmo. Falei: só tenho 10 mil. Se tivesse mais, eu dava mais”, escreveu o deputado em sua página do Facebook. “Meia dúzia de mimizentos estão magoadinhos pq ofereci 10 mil pela cabeça de um bandido. Matou uma jovem e não merece estar vivo”, afirmou em texto no Instagram.

Ainda que o deputado tenha sido contundente, a atitude de recompensar alguém por um ato criminoso infringe o regimento interno da assembleia. O artigo 294 do capítulo II diz que “o uso de expressões em discursos ou em proposições, ou a prática de ato que afete a dignidade alheia, desde que configurados crimes contra a honra ou contenham incitação à prática de crimes, consideram-se atentatórios contra o decoro parlamentar”.

O regimento define ainda que: “o deputado que descumprir os deveres constitucionais e regimentais inerentes ao seu mandato ou praticar ato que afete a sua dignidade ou a de seus pares estará sujeito a processo na forma das leis vigentes e às seguintes medidas: advertência; censura; suspensão do exercício do mandato, não excedente de trinta dias; perda do mandato”.

No entanto, para que a corregedoria da Ales apure o caso e instaure um processo administrativo, é necessário que seja realizada uma denúncia. Procurada, a assessoria de imprensa da Ales ainda não se pronunciou. O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) afirmou que “acompanha o caso em tela e analisa o teor das declarações do parlamentar para futura manifestação”.​

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