Weliton Prado expõe falha grave no sistema de saúde: Brasil gasta bilhões com rins, mas ignora origem da doença
No Dia Mundial do Rim, deputado alerta para modelo tardio, caro e desumano — e propõe mudança que pode redefinir o cuidado no SUS
“O sistema paga pela doença, mas ignora suas causas: o alerta que pode mudar o futuro da saúde renal no Brasil, Com bilhões gastos em tratamentos tardios, especialistas e parlamentares apontam falhas graves no modelo atual e defendem uma virada urgente para a prevenção“
O Brasil está tratando a consequência — mas fechando os olhos para a causa.
No Dia Mundial do Rim, um alerta contundente ecoou entre especialistas e autoridades: o sistema de saúde brasileiro investe bilhões no tratamento da insuficiência renal, mas falha em algo básico — entender como e por que a doença começa.
E esse descuido pode estar custando mais do que dinheiro.
Durante o debate, o deputado Weliton Prado expôs um cenário que combina alto custo, baixa eficiência e, principalmente, invisibilidade.
Hoje, mais de 200 mil brasileiros dependem de terapias como hemodiálise e diálise peritoneal — procedimentos que representam um gasto anual superior a R$ 4,5 bilhões. O problema, segundo ele, não está apenas no valor, mas na lógica do sistema: quase todo o investimento é direcionado à fase mais crítica da doença.
É como apagar incêndios sem nunca investigar onde o fogo começa.
Os dados reforçam essa desconexão. Cerca de 87% dos pacientes não têm a causa da doença registrada. Mais alarmante ainda: nenhum deles possui o estágio da doença identificado nos sistemas de informação. Na prática, isso significa que o país não consegue planejar políticas públicas eficazes, monitorar a progressão dos casos ou agir de forma preventiva.
O resultado aparece no cotidiano de milhares de brasileiros.
Diagnósticos tardios se tornam regra. Muitos pacientes iniciam a diálise de forma emergencial, sem preparo. A integração com o transplante renal é limitada. E há um impacto silencioso, mas devastador: a rotina desumana de deslocamentos.
Pacientes acordam de madrugada para viajar 100, 200 ou até 400 quilômetros em busca de tratamento. Uma jornada que não apenas desgasta fisicamente, mas corrói a qualidade de vida.
Diante desse cenário, a proposta apresentada busca uma mudança estrutural: sair de um modelo centrado no procedimento e migrar para um modelo centrado na pessoa.
Isso implica reorganizar toda a linha de cuidado — da prevenção ao transplante — com um papel central para a atenção primária. O Brasil possui uma rede robusta, com cerca de 49 mil Unidades Básicas de Saúde e mais de 11 mil policlínicas. O desafio, portanto, não é ausência de estrutura, mas de estratégia.
Fortalecer essas unidades como porta de entrada para diagnóstico precoce pode ser o ponto de virada.
A crise da saúde renal no Brasil não é apenas médica — é estrutural.
Enquanto o sistema continuar reagindo ao estágio final da doença, vidas seguirão sendo impactadas por diagnósticos tardios, tratamentos desgastantes e uma sensação constante de abandono silencioso.
A pergunta que fica não é apenas quanto o país gasta, mas por que ainda gasta tão tarde.
Mudar esse cenário exige mais do que investimento: exige enxergar o que hoje permanece invisível.
E talvez o maior desafio seja justamente esse — aprender a cuidar antes que seja tarde demais.









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