O Tiro que Saiu pela Culatra: Suposto Assalto em João Pinheiro era Farsa para Esconder Disparo Acidental
Homem baleado inventa história de roubo em local ermo, mas investigação da Polícia Militar descobre pistola escondida e prende dupla por fraude e porte ilegal.
No submundo das falsas narrativas, nem sempre o roteiro sobrevive ao primeiro interrogatório. Na última sexta-feira (09/01), o que começou como um dramático pedido de socorro na UPA de João Pinheiro terminou em uma complexa trama de mentiras desmascarada pela Polícia Militar. Entre uma bala real e uma história inventada, a verdade apareceu onde os envolvidos menos esperavam: no rigor das evidências.
Tudo começou quando um homem de 35 anos deu entrada na unidade de saúde com uma perfuração por arma de fogo. Às autoridades, ele narrou um cenário clássico de insegurança: dizia ter sido abordado por um assaltante em uma área escura e sem iluminação do loteamento Zilica Couto enquanto voltava para casa.
Segundo o seu relato, o criminoso teria disparado e fugido, deixando-o para trás até ser socorrido por um terceiro. Era a história perfeita para justificar o ferimento sem levantar suspeitas sobre a origem da arma. Mas, para a Polícia Militar, os detalhes não se encaixavam.
O instinto policial e as diligências de campo logo provaram que o “assaltante moreno” e o “loteamento ermo” eram frutos da imaginação da vítima. Ao cruzarem informações e analisarem o local indicado, os militares constataram que o roubo jamais ocorrera.
A verdade era muito mais doméstica e perigosa. O disparo aconteceu dentro de uma residência no bairro União. Não houve assalto, mas sim um disparo acidental efetuado por um conhecido da vítima durante o manuseio de uma arma de fogo. O “terceiro” que socorreu o baleado era, na verdade, o próprio autor do disparo. A farsa foi montada para proteger ambos de uma implicação legal — um plano que fracassou miseravelmente.
A farsa custou caro. Os policiais localizaram e apreenderam a arma real do crime: uma Pistola Taurus calibre .380, acompanhada de três munições intactas e a cápsula deflagrada que atingiu o homem.
O desfecho na Delegacia de Polícia Civil (DEPOL) foi rigoroso:
- O Atirador: Preso por lesão corporal e porte ilegal de arma de fogo.
- O Mentiroso: O autor da farsa foi preso pelo crime de Comunicação Falsa de Crime. Devido ao estado de saúde, ele permaneceu sob custódia internado no hospital.
- Apreensões: Além da pistola e munições, dois celulares foram recolhidos para perícia.
A Justiça Não Aceita Roteiros Improvisados
Este caso serve como um alerta severo: mentir para a polícia não é apenas um erro de julgamento, é um crime previsto no Código Penal que mobiliza recursos públicos desnecessariamente. Em João Pinheiro, a tentativa de transformar um acidente doméstico em um caso de violência urbana apenas dobrou o problema dos envolvidos.

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