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Esquema criminoso de roubo e revenda de remédios para tratamento de câncer em SP e RJ movimenta R$ 33 milhões

Investigação detalha como quadrilha desviava medicamentos de alto custo de hospitais e secretarias de Saúde para abastecer o mercado clandestino e farmácias receptadoras.

Por Redação Sputnik Voz do Povo 21 de julho de 2026

SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO – Uma complexa investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público desmantelou uma grande rede criminosa com atuação centralizada nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, responsável por um esquema milionário de roubo, desvio e revenda ilegal de medicamentos de alto custo destinados ao tratamento de pacientes com câncer. Estimativas oficiais apontam que o grupo criminoso conseguiu movimentar cerca de R$ 33 milhões abastecendo o mercado clandestino e farmácias receptadoras.

Os remédios, que deveriam ser distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por convênios médicos para pessoas em tratamento oncológico, eram desviados diretamente de almoxarifados de hospitais públicos, secretarias municipais e estaduais de Saúde e de transportadoras especializadas nos eixos paulista e fluminense.

Como funcionava a engrenagem do crime

A quadrilha atuava de forma altamente estruturada entre os dois estados, dividindo suas operações em etapas estratégicas para garantir que o material roubado chegasse rapidamente às prateleiras e aos compradores finais:

  • O Desvio e o Roubo: O grupo contava com a cooperação de facilitadores infiltrados e aliciados dentro do fluxo logístico — desde funcionários de distribuidores a servidores com acesso a estoques de hospitais em SP e RJ. Em outros casos, o grupo executava assaltos à mão armada a cargas rodoviárias nas principais rodovias de ligação.
  • Adulteração e Reembalagem: Para disfarçar a origem ilícita e apagar os lotes rastreáveis gravados nas embalagens com a tarja “Venda Proibida ao Comércio”, os criminosos raspavam os códigos de identificação e, em situações ainda mais graves, reembalavam as caixas do produto.
  • Lavagem de Dinheiro: Os R$ 33 milhões obtidos com a comercialização paralela eram escoados por meio de empresas de fachada e contas bancárias em nome de “laranjas”, dificultando o rastreamento das autoridades financeiras.

Riscos à vida e prejuízo aos cofres públicos

Além do rombo milionário aos cofres públicos e aos orçamentos da saúde paulista e fluminense, o grande perigo do esquema envolvia a integridade física dos pacientes graves. Medicamentos para tratamento de câncer exigem controle rigoroso de temperatura e acondicionamento em rede de frio durante toda a cadeia de transporte.

Risco aos Pacientes: Sem as condições adequadas de refrigeração e transporte durante o período em que ficavam escondidos com os criminosos, as substâncias ativas dos remédios perdiam a eficácia medicinal. Em alguns episódios investigados, pacientes continuavam aplicando doses “mortas” sem saber, agravando o avanço das neoplasias.

Prisões e desdobramentos operacionais

A operação resultou no cumprimento de dezenas de mandados de prisão temporária e preventiva, além de buscas e apreensões em endereços residenciais, galpões de armazenamento e estabelecimentos farmacêuticos suspeitos de receptação em municípios de São Paulo e do Rio de Janeiro.

O Poder Judiciário determinou o bloqueio de bens, imóveis, veículos de luxo e contas bancárias dos líderes do esquema para assegurar o ressarcimento aos cofres públicos. Os envolvidos responderão pelos crimes de organização criminosa, receptação qualificada, roubo de carga, lavagem de dinheiro e crime contra a saúde pública — este último com penas severas devido ao risco direto provocado à vida dos pacientes desatendidos.

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Edição e Redação: Alane Alves

Jornalista RTP 0021471/MG Radialista Social Media Mais de 100 milhões de acessos em 2022 Assessor parlamentar Câmara dos Deputados Brasília Sangue A Positivo

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