Sentença de Morte por uma Foto: Mandante de Homicídio no Buritis é Preso em BH
Empresário de 25 anos é suspeito de ordenar execução de jovem após encontrar imagens de facção rival em celular; operação apreendeu pistola, munições e R$ 14 mil em espécie.
O que deveria ser uma noite de diversão em uma distribuidora de bebidas terminou em uma tragédia ditada pelas regras invisíveis do crime organizado. Na tarde desta ultima quinta-feira (15/01), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) colocou um ponto final na fuga do principal suspeito de ordenar a morte de um jovem de 20 anos, crime que chocou a região do Barreiro e o bairro Buritis em outubro do ano passado.
A investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Homicídios (DEH) Barreiro revelou um roteiro de terror iniciado em 11 de outubro. A vítima estava com dois amigos em uma distribuidora no Aglomerado Cabana do Pai Tomás quando foram abordados pelo dono do estabelecimento, um homem de 25 anos.
Armado, o empresário rendeu os três jovens. Enquanto dois foram liberados, o alvo de 20 anos foi mantido sob o controle do suspeito. Segundo a PCMG, o jovem foi levado do local e executado em seguida, em uma ação coordenada que aponta o dono da distribuidora como o mentor intelectual do assassinato.
O Perigo das Aparências
O inquérito aponta que o gatilho para o crime foi fútil e cruel:
- A Festa: Durante uma celebração no local, o jovem teria afirmado pertencer a uma organização criminosa.
- A “Prova”: O suspeito exigiu o celular da vítima e, ao vasculhar o aparelho, encontrou fotos onde o jovem fazia gestos associados a uma facção rival à que domina a região do Cabana.
- A Ordem: Diante da descoberta, o mandante teria acionado outros criminosos para levarem o rapaz para o “abate”, selando seu destino.
Prisão e Apreensões Milionárias
A operação de captura nesta quinta-feira não apenas retirou o mandante de circulação, mas também revelou o poderio do suspeito. Na residência alvo da busca, os policiais apreenderam:
- Armamento: Uma pistola calibre .380, dois carregadores e 30 munições intactas.
- Dinheiro: R$ 14 mil em dinheiro vivo, cuja origem será investigada.
- Tecnologia: Dois celulares que passarão por perícia para identificar os executores que cumpriram a ordem de morte.
A prisão preventiva do suspeito é uma resposta contundente do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios (DHPP) contra a violência desenfreada nos aglomerados de BH. O caso serve como um alerta sombrio sobre como a cultura das facções e a exposição em redes sociais e celulares podem custar a vida de jovens que, muitas vezes, apenas tentam simular uma identidade perigosa.
A pergunta que fica é: até quando o “acesso ao celular” será usado como júri, juiz e carrasco em áreas onde o Estado ainda luta para desarticular o domínio dessas organizações?

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