Polícia Federal aponta que Daniel Vorcaro financiou rede internacional de exploração sexual
Ex-dono do Banco Master aportou R$ 4,3 milhões em esquema que aliciava refugiadas de guerra e utilizava agência de modelos para mascarar ações.
Por Redação Sputnik Voz do Povo 13 de outubro de 2026
BRASÍLIA – Investigações conduzidas pela Polícia Federal revelam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master, financiou e integrou uma rede internacional de prostituição e exploração sexual a partir de 2023. O esquema movimentou ao menos R$ 4,3 milhões e contava com o recrutamento de mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo refugiadas de guerras internacionais.
A apuração indica que o empresário não atuava apenas como cliente, mas exercia controle sobre o grupo, efetuando aportes financeiros, selecionando vítimas e dando ordens operacionais.
Uso de refugiadas e fachada com agência de modelos
Conforme mensagens e comprovantes obtidos pelas autoridades policiais, a organização recrutava mulheres oriundas de países como Ucrânia, Rússia, Polônia, Argentina e Venezuela:
- Aliciamento de Refugiadas: Entre os casos identificados, consta o retenção de uma jovem ucraniana de 19 anos no Brasil que fugia da guerra. Mensagens mostram que intermediários do esquema impediram a jovem de buscar refúgio na Itália para mantê-la à disposição do grupo;
- Blindagem e Fachada: Para disfarçar a exploração e viabilizar a contratação das mulheres, Vorcaro negociou a compra de 50% de uma agência de modelos por R$ 1,5 milhão. O contrato e transferências bancárias via Pix reforçam o uso da empresa como mecanismo de disfarce;
- Termos Degradantes e Seleções: Em diálogos interceptados, o ex-banqueiro e seus operadores usavam termos pejorativos para se referir às vítimas e organizavam triagens periódicas de dezenas de mulheres para eventos privados no Brasil e no exterior.
Investigação e desdobramentos criminais
Além de Daniel Vorcaro, a Polícia Federal investiga dois intermediários principais — um promotor de eventos responsável por agenciar as mulheres no Brasil e um empresário baseado nos Estados Unidos que cuidava da logística de viagens, passagens e hospedagens internacionais.

O inquérito policial apura a prática de crimes como lenocínio (cafetinagem), favorecimento da prostituição, manutenção de estabelecimento para exploração sexual e possível tráfico internacional de pessoas. Os autos seguem em análise junto ao Poder Judiciário.


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