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Química do Crime: PM Estoura Laboratório de Agrotóxicos Falsificados no Bairro Cristo Redentor

Operação em Patos de Minas desarticula esquema de fracionamento ilegal de defensivos agrícolas; produtos de origem paraguaia eram batizados e revendidos.

O que parecia ser apenas uma obra residencial no bairro Cristo Redentor escondia, na verdade, uma perigosa fábrica clandestina de venenos. Na tarde desta ultima quinta-feira (15/01), a Polícia Militar desferiu um golpe certeiro contra o mercado ilegal de insumos agropecuários, revelando um laboratório improvisado onde a “fórmula” do lucro fácil passava pela falsificação de marcas consagradas e pelo contrabando.

O Flagrante: Máscaras, Balanças e Química

A ação foi motivada por denúncias de moradores incomodados com a movimentação noturna e o forte odor químico que exalava do imóvel. Ao chegarem à residência em construção, os militares flagraram um homem de 43 anos e um adolescente de 16 anos em pleno trabalho. Equipados com EPIs, eles manipulavam, pesavam e selavam produtos que seriam vendidos como defensivos legítimos.

A estrutura era profissional em sua precariedade: máquinas seladoras, balanças de precisão e centenas de embalagens espalhadas pelo chão indicavam um fluxo industrial de fracionamento irregular. Durante o interrogatório, os envolvidos confessaram que o “dono” do negócio seria um homem de 41 anos, que conseguiu fugir momentos antes da chegada da polícia.

Produtos “Batizados” e Risco Ambiental

A gravidade do caso exigiu a presença de técnicos do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e do Corpo de Bombeiros. As análises preliminares confirmaram o pior:

  • Falsificação: Grande parte do material apresentava sinais claros de fraude, sendo “batizada” com a adição de outras substâncias antes de ser revendida aos produtores rurais.
  • Contrabando: Etiquetas indicam que os insumos básicos vinham do Paraguai, entrando ilegalmente no país sem qualquer controle sanitário.
  • Depósito Urbano: Em uma segunda residência, no mesmo município, uma idosa de 67 anos guardava mais venenos armazenados de forma precária, além de 25 caixas de cigarros contrabandeados.

O volume de material apreendido foi tão expressivo que a Polícia Militar precisou mobilizar um caminhão próprio para o transporte seguro da carga. O perigo era real: enquanto a polícia trabalhava, diversos veículos chegavam ao local, possivelmente para buscar encomendas, mas fugiam ao notar o cerco policial.

Três pessoas foram conduzidas à delegacia: o homem de 43 anos, a mulher de 67 e o menor de 16 anos (acompanhado pela responsável). O mentor intelectual do esquema, já identificado, segue sendo procurado.

Esta operação retira de circulação produtos que poderiam devastar lavouras inteiras e contaminar o solo mineiro. O uso de defensivos falsificados é um “tiro no pé” do agricultor, que paga por uma eficácia que não existe e ainda arrisca a saúde de seus trabalhadores.

A pergunta que fica para o setor produtivo é: como garantir a procedência dos seus insumos em um mercado onde a pirataria química se esconde em cada esquina de bairro?

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Por Jeferson Sputnik Jornalista RTP 0021471/MG

Jornalista RTP 0021471/MG Radialista Social Media Mais de 100 milhões de acessos em 2022 Assessor parlamentar Câmara dos Deputados Brasília Sangue A Positivo

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