Irã ameaça cortar importações agrícolas do Brasil se cargueiros não forem reabastecidos

País exporta US$ 1,3 bilhão para nação islâmica que é maior compradora de milho brasileiro

Embarcações aguardam combustível para levar carga de milho a seu país de origem | Foto: Heuler Andrey / AFP / CP

O Irã ameaçou cortar as importações do Brasil se a Petrobras não reabastecer os dois cargueiros iranianos carregados de milho que estão parados desde junho no Porto de Paranaguá por falta de combustível. A estatal alega que as embarcações são alvo de sanções americanas e teme ser punida. Em entrevista à agência Bloomberg, o embaixador do Irã em Brasília, Seyed Ali Saghaeyan, disse que entrou em contato com as autoridades brasileiras na terça-feira para informar que seu país buscará novos parceiros para comprar milho, soja e carne se o governo não resolver a situação. O comércio brasileiro com o Irã é superavitário. No primeiro semestre de 2019, segundo dados oficiais, o Brasil importou US$ 26 milhões em produtos iranianos e vendeu US$ 1,3 bilhão. O principal produto da relação é o milho, responsável por 36% das vendas. A soja vem atrás, com 34%.

No caso do milho, o Irã é o maior comprador do Brasil. Apenas em 2018, as vendas brasileiras ao exterior totalizaram 22 milhões de toneladas, das quais 6,4 milhões foram para o Irã. “Eu disse para os brasileiros que eles devem resolver essa questão – e não os iranianos”, frisou Saghaeyan. “Se (a situação) não for solucionada, talvez as autoridades em Teerã desejarão tomar decisões já que (o mercado de produtos agrícolas) é um mercado livre e outros países estão disponíveis.”

Em novembro, o Departamento do Tesouro dos EUA incluiu na sua lista negra cerca de 200 navios – cargueiros e petroleiros iranianos ou ligados ao Irã. Entre eles o Bavand e o Termeh, que estão presos no Paraná. O resto da frota continua circulando pelo mundo, carregando e descarregando aparentemente sem problemas. O embaixador iraniano confirmou que seu país analisa a possibilidade de enviar combustível para os dois navios, mas essa seria uma opção demorada e cara. “Países grandes e independentes, como Brasil e Irã, devem trabalhar juntos sem interferência de terceiros ou de outro país”, afirmou Saghaeyan, que teria pedido uma reunião com o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, mas ainda não obteve resposta.

“O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, decidiu nesta quarta-feira (24) que a Petrobrás deve fornecer combustível aos dois cargueiros iranianos, um deles carregado com milho, que estão parados desde junho no Porto de Paranaguá (PR). O processo está sob segredo de justiça, mas a informação foi confirmada por diversos veículos de comunicação. Na decisão, Toffoli argumenta que a exportadora Eleva Química, que contratou os navios, não foi sancionada pelo governo americano e que, por se tratar de uma ordem judicial, a Petrobras não será punida. Nesta quarta, o Irã ameaçou suspender suas importações do Brasil se os navios não forem reabastecidos.”

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