Estradas e Rodovias

Alerta de Saúde Pública: Órgãos oficiais e sociedades médicas não validam termografia para rastreamento de câncer de mama

Pareceres técnicos da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e do Ministério da Saúde/INCA reforçam que tecnologia com IA é experimental e não substitui a mamografia.

Por: Jeferson Sputnik / Sputnik Voz do Povo

MINAS GERAIS – A segurança das mulheres no diagnóstico do câncer de mama está no centro de um importante alerta emitido por autoridades de saúde. Documentos oficiais da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e do Ministério da Saúde/INCA esclarecem que a termografia associada à inteligência artificial — como o programa LINDA — não possui validade científica para substituir a mamografia, sendo considerada uma tecnologia experimental e não incorporada ao SUS.

O Risco dos Falsos Negativos

A principal preocupação dos especialistas reside na baixa acurácia do método térmico. De acordo com o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a termografia apresenta um risco elevado de falsos-negativos, o que pode atrasar o diagnóstico de tumores agressivos, e de falsos-positivos, que levam a biópsias e procedimentos desnecessários.

Diferente da mamografia, que é o único método comprovadamente capaz de reduzir a mortalidade por câncer de mama em larga escala, a termografia não possui ensaios clínicos que demonstrem eficácia no rastreamento populacional.

Posicionamento Nacional e Internacional

O rigor científico contra o uso da termografia em farmácias ou consultórios como substituto da mamografia é uma unanimidade entre os maiores reguladores do mundo:

  • No Brasil: O parecer técnico de 2023 (reiterado em 2025) da Comissão Nacional de Mamografia recomenda que o uso de dispositivos de atividade térmica seja restrito exclusivamente ao ambiente de pesquisa.
  • Nos EUA: A FDA (Food and Drug Administration) emitiu comunicados oficiais com o título: “Termograma não é substituto para mamograma”, alertando contra propagandas enganosas.
  • Na Europa: A Sociedade Europeia de Radiologia de Mama (EUSOBI) desencoraja o uso da termografia como alternativa de rastreamento.

Diretrizes Oficiais Mantidas

As orientações oficiais do Ministério da Saúde e do INCA permanecem inalteradas: o rastreamento organizado deve ser feito via mamografia bienal para mulheres entre 50 e 69 anos. Já as sociedades médicas brasileiras (SBM/CBR/FEBRASGO) recomendam o exame anualmente a partir dos 40 anos para mulheres de risco habitual.

Especialistas alertam que a divulgação de tecnologias não validadas pode induzir a população ao erro, desorganizando a linha de cuidado e comprometendo a prevenção adequada de uma das doenças que mais vitimam mulheres no país.

Reflexão

A inovação tecnológica é sempre bem-vinda na medicina, desde que passe pelo crivo da ciência e da regulação. No caso do câncer de mama, o tempo é o fator mais precioso, e utilizar métodos sem comprovação de redução de mortalidade pode custar vidas.

Você sabia que a mamografia continua sendo o único exame capaz de detectar o câncer de mama ainda em fase inicial, antes mesmo de ser palpável?

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Por Jeferson Sputnik Jornalista RTP 0021471/MG

Jornalista RTP 0021471/MG Radialista Social Media Mais de 100 milhões de acessos em 2022 Assessor parlamentar Câmara dos Deputados Brasília Sangue A Positivo

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