Caso Gustavo: Pai e madrasta são presos em investigação sobre morte de menino de 3 anos sob tortura e falsa simulação de afogamento
Laudo pericial desmente versão de acidente em piscina e aponta agressões brutais como causa do óbito; pai teve inscrição na OAB suspensa, enquanto madrasta responde por omissão.
Por Redação Sputnik Voz do Povo 8 de agosto de 2026
PALMAS, TOCANTINS – As investigações sobre a trágica morte do pequeno Gustavo Veloso Feitosa, de apenas 3 anos, ganharam desdobramentos decisivos com a prisão preventiva do pai da criança, o advogado Igor Gustavo Veloso de Souza, de 33 anos, e da madrasta, Kathellen Moreira, de 23 anos.
O caso, que inicialmente foi comunicado às autoridades pelo próprio pai como um suposto afogamento doméstico, é tratado pela Polícia Civil como homicídio duplamente qualificado, tortura e fraude processual.
Laudo do IML desmonta versão de acidente e aponta tortura
De acordo com a Polícia Civil do Tocantins, o pai procurou a delegacia horas após a morte da criança alegando que o filho teria caído na piscina da residência no domingo (2), expelido água após socorro caseiro e dormido, sendo encontrado sem vida apenas na manhã de segunda-feira (3). Ele justificou a demora em avisar a polícia devido a um “abalo emocional”.
No entanto, os exames necroscópicos do Instituto Médico-Legal (IML) e a perícia na residência desmentiram integralmente a versão:
- Múltiplas lesões e choque hemorrágico: O laudo pericial atestou que a causa da morte foi choque hemorrágico e laceração intestinal decorrentes de agressões físicas extremas, sem qualquer vestígio de afogamento;
- Meio de tortura: A perícia identificou lacerações graves na região anal e intestinal da criança. O delegado responsável enfatizou que as lesões não decorreram de violência sexual, mas sim do uso de objetos como instrumento de tortura e agressão física severa;
- Cena adulterada: Os peritos encontraram indícios de que o imóvel passou por higienização para apagar vestígios de sangue e esconder garrafas de bebidas alcoólicas antes de as autoridades serem acionadas.
Omissão da madrasta e suspensão profissional na OAB
A prisão de Kathellen Moreira, madrasta do menino, foi efetuada porque a jovem estava no imóvel durante as agressões e permaneceu omissa, deixando de socorrer a criança ou acionar os serviços de emergência e a polícia.
Paralelamente às medidas criminais, o Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-TO) determinou a suspensão cautelar do registro profissional de advogado do pai de Gustavo.
Relatos de agressões anteriores e disputa de guarda
A morte de Gustavo gerou forte comoção pública e trouxe à tona relatos anteriores de violência. A mãe do menino, Sabrina Feitosa, divulgou um vídeo gravado antes da tragédia no qual a criança chora e afirma expressamente: “Eu não vou pro meu pai não, porque ele me bate”.
A defesa da mãe esclareceu que ela já possuía medida protetiva contra o ex-companheiro devido a ameaças de morte gravadas em áudio. No entanto, por determinação judicial e para não incorrer em crime de alienação parental — o que poderia resultar na perda da guarda do filho —, a mãe era obrigada a cumprir o regime de visitas nos finais de semana.
Situação dos acusados
O pai e a madrasta seguem custodiados no sistema prisional do Tocantins à disposição da Justiça. A defesa do pai alegou que ele não ofereceu resistência ao cumprimento do mandado de prisão preventiva e que aguarda os desdobramentos do processo em sigilo. A Polícia Civil prossegue com as oitivas de testemunhas para concluir o inquérito policial nos próximos dias.

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