fbpx

Idosos vítimas de tortura continuam em hospital porque não foram procurados pela família

Eles foram resgatados de um asilo em Santa Luzia, região metropolitana de BH. Todos já receberam alta do hospital, porém, permanecem internados na enfermaria, porque não têm para onde ir. A Polícia Civil de Minas investiga casos de abandono de incapaz por parentes das vítimas. Ao todo, cinco pessoas estão presas, acusadas de praticarem os maus-tratos.

Pelo menos dez idosos que foram internados no Hospital Municipal de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, após sofrerem maus tratos em asilo já receberam alta, mas ainda não foram procurados por suas famílias.

Por não terem para onde ir, ainda seguem vivendo no hospital. Os idosos chegaram ao local com sinais de desnutrição, pneumonia e marcas de agressões pelo corpo. Eles seguem na enfermaria à espera de parentes. Uma funcionária do asilo disse que dez idosos morreram no local em cinco meses.

Duas outras vítimas de violência saíram do hospital neste sábado (3). Um foi para uma clínica na cidade e outro para um asilo em Belo Horizonte.

(foto: Divulgação/PCMG)

Acusada de torturar idosos em Santa Luzia compartilhava salmos e se posicionava contra os gays

A proprietária da Casa dos Idosos Acolhendo Vidas, o asilo onde a polícia investiga denúncias de maus-tratos contra idosos, se classificava como pastora nas redes sociais e compartilhava diversas mensagens bíblicas proferidas por líderes religiosos da igreja evangélica. Ela também postava, frequentemente, passagens do livro sagrado. 

Uma das postagens evidencia um vídeo dopastor Silas Malafaia, um dos mais controversos líderes religiosos, condenando a homossexualidade. Em outro link compartilhado, a mulher celebra a “mudança” feita pelo Evangelho na vida de um “ex-gay”.

Além disso, a detida compartilhava vídeos publicados na atual página do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). No material, o chefe do Executivo paulista faz flexões ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PSL). 

Em alguns posts, usuários criticam os posicionamentos da suspeita de maus-tratos. “A máscara caiu”, afirma um deles, se referindo as investigações conduzidas pela Polícia Civil contra a proprietária do asilo e a filha dela.

Nesta segunda-feira (29), a Justiça mineira, por meio da comarca de Santa Luzia, converteu a prisão da pastora em preventiva. De acordo com o artigo 312 do Código Penal, esse tipo de detenção pode durar de quatro meses a um ano e seis meses.

A prisão preventiva pode ser adotada tanto durante as investigações quanto no decorrer da ação penal, quando surgem provas que liguem o suspeito ao crime. A preventiva se aplica à dona do asilo porque os crimes investigados são dolosos e passíveis de reclusão maior que quatro anos.

Comentários

%d blogueiros gostam disto: